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NVIDIA cresce 106% e sinaliza uma nova fase da IA: da experimentação à infraestrutura

Com US$ 96,2 bilhões em receita trimestral e US$ 89 bilhões vindos de Data Center, resultados da companhia mostram como a expansão da inteligência artificial está ampliando a demanda por capacidade computacional e arquiteturas completas de infraestrutura.

Por Igor Reolon, Farroupilha/RS · 04 de agosto de 2026

A inteligência artificial está entrando em uma nova etapa

Depois de um período marcado pela popularização dos modelos generativos e pela experimentação dentro das empresas, a tecnologia começa a avançar sobre processos, sistemas e operações reais, e essa transformação já aparece nos números da indústria de infraestrutura.

Os resultados divulgados pela NVIDIA em 26 de agosto ajudam a dimensionar esse movimento. No segundo trimestre do ano fiscal de 2027, encerrado em 26 de julho, a companhia registrou receita recorde de US$ 96,2 bilhões, crescimento de 106% em relação ao mesmo período do ano anterior e de 18% na comparação com o trimestre anterior.

O dado mais significativo, porém, está na origem dessa receita.

Somente a divisão de Data Center alcançou US$ 89 bilhões, avanço de 117% em um ano. Isso significa que mais de 92% da receita trimestral da NVIDIA veio desse segmento.

Mais do que mostrar o crescimento de uma fabricante, os números ajudam a revelar a escala dos investimentos que estão sendo realizados para sustentar uma nova geração de aplicações de inteligência artificial.

Da IA que responde para a IA que executa

Durante a divulgação dos resultados, Jensen Huang, fundador e CEO da NVIDIA, afirmou que a inteligência artificial chegou a um ponto de inflexão: os sistemas já estão realizando trabalho útil e gerando produtividade e retorno econômico. Ele resumiu esse movimento em uma frase: “compute is revenue”.

A afirmação ajuda a explicar uma mudança importante no mercado:

A primeira onda da IA generativa foi marcada principalmente por ferramentas capazes de responder perguntas, produzir textos, resumir documentos, gerar imagens e auxiliar profissionais em atividades específicas.

Com o avanço da IA agêntica, sistemas passam a ser desenvolvidos para interagir com ERPs, CRMs, documentos corporativos, bancos de dados e outras aplicações internas. Em vez de apenas fornecer uma resposta, esses agentes podem consultar informações, analisar documentos, aplicar regras e executar etapas de processos.

Essa mudança também altera os requisitos tecnológicos.

Quanto mais a inteligência artificial se aproxima da operação das empresas, maior se torna a importância da infraestrutura que existe por trás dos modelos.

IA deixa de ser apenas uma discussão sobre GPUs

O avanço da inteligência artificial costuma ser associado à capacidade das GPUs. Mas colocar aplicações de IA em produção exige uma arquitetura consideravelmente mais ampla.

Servidores, processamento, networking de alta performance, storage, segurança, software e integração passam a fazer parte do mesmo ambiente.

Os próprios anúncios recentes da NVIDIA ilustram essa mudança. A empresa está levando a plataforma Vera Rubin à produção e apresentou tecnologias como os switches Spectrum-6, o BlueField-4 STX e a plataforma NVIDIA DSX, criada para apoiar o projeto, a construção e a operação de AI factories em escala.

A evolução do portfólio mostra que a discussão sobre infraestrutura para IA está migrando do componente isolado para a arquitetura completa. E existe outro elemento igualmente importante nessa equação: os dados.

Uma organização pode ter acesso a modelos avançados e grande capacidade computacional, mas encontrar dificuldades para gerar valor se suas informações estiverem fragmentadas, seus sistemas não estiverem integrados ou não houver governança suficiente para permitir que a IA interaja com dados corporativos.

Por isso, a próxima etapa da adoção empresarial de IA tende a envolver não apenas a escolha dos modelos, mas a preparação de todo o ambiente necessário para incorporá-los à operação.

Cloud ou infraestrutura própria? A tendência é combinar ambientes

Essa transformação também deve tornar mais estratégica a decisão sobre onde executar cada workload.

Cloud continuará sendo uma parte importante das arquiteturas de IA. Ao mesmo tempo, fatores como volume de processamento, previsibilidade de custos, segurança, latência, governança e soberania de dados podem levar organizações a avaliar também infraestruturas privadas, dedicadas e modelos híbridos.

A discussão, portanto, não precisa ser colocada como uma escolha entre cloud e infraestrutura própria. A questão passa a ser qual ambiente é mais adequado para cada dado, aplicação e carga de trabalho. Essa decisão ganha relevância à medida que a IA deixa os projetos experimentais e começa a acessar informações críticas das organizações.

Quanto mais autonomia, maior a necessidade de governança

A evolução dos agentes adiciona outra camada a esse cenário. Existe uma diferença importante entre uma inteligência artificial autorizada a responder a uma pergunta e um agente autorizado a executar uma ação dentro de um sistema corporativo.

À medida que aumenta a autonomia, crescem também as exigências relacionadas a identidade, permissões, segurança, auditoria e controle das ações executadas pela IA.

Governança, portanto, deixa de ser uma discussão posterior à implantação e passa a fazer parte da própria arquitetura.

Esse cenário ajuda a explicar por que a NVIDIA vem ampliando seu ecossistema para além dos aceleradores. Entre os anúncios do trimestre estão tecnologias voltadas a infraestrutura, networking, segurança, agentes e AI factories completas.

A infraestrutura de IA continua acelerando

A própria projeção financeira da NVIDIA indica que a expansão deve continuar.

Para o terceiro trimestre fiscal de 2027, a companhia estima aproximadamente US$ 108 bilhões em receita, com variação de 2%. A projeção não considera receita de compute para Data Center na China.

Ao mesmo tempo, a companhia afirma que a plataforma Vera Rubin está avançando para produção, enquanto novas AI factories e supercomputadores estão sendo desenvolvidos em diferentes regiões do mundo. Os números ajudam a colocar em perspectiva uma transformação maior do que o crescimento de uma única empresa.

A inteligência artificial está deixando de ser apenas uma camada de software e começando a influenciar diretamente a forma como a infraestrutura tecnológica das organizações é projetada.

A questão para as empresas, portanto, começa a mudar.

Não é apenas “qual IA devemos utilizar?”, mas:

“Que infraestrutura, dados, segurança e governança precisamos construir para que a IA realmente faça parte da nossa operação?”

Essa talvez seja a principal mensagem por trás dos números apresentados pela NVIDIA.

Se a visão de Jensen Huang de que “compute is revenue” se consolidar, capacidade computacional, dados e infraestrutura de IA deixarão de ser apenas recursos tecnológicos.

Passarão, cada vez mais, a fazer parte da própria capacidade competitiva das empresas.

Acesse os Resultados oficiais do 2º trimestre fiscal de 2027 da NVIDIA.

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A Inteligência Artificial está avançando da experimentação para ambientes cada vez mais integrados à operação das empresas.

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